gustavo

17 de julho de 2011

Força e coragem para lutar pela escola pública!

No dia 13 de julho, como se vivêssemos uma novela, cujo início, meio e fim tod@s já conhecessem, foi divulgada a decisão judicial que determinava aos professores (as) grevistas da educação estadual do RN o retorno imediato à sala de aula. Com base na decisão, a Secretaria de Educação se desarvorou a publicar um calendário de reposição das aulas nos jornais locais. Um esforço em vão, já que a decisão unânime da assembleia d@s trabalhadores (as) em educação, no dia 14, foi de manter a greve.

Após tal decisão, Rosalba Ciarlini (DEM), governadora do RN, que até então vinha se comportando com a arrogância típica de uma rainha que não desce do trono para se dirigir aos súditos, resolveu dar as caras pela primeira vez, após quase 80 dias de greve, para dizer que sofreríamos corte de ponto, processo administrativo, exoneração, substituição, etc e tal, demonstrando o seu desespero e agonia diante da desobediência e atrevimento d@s súdit@s.

É, Rosalba, sinto informá-la, mas a luta de classes tem dessas coisas... chega uma hora em que a parte mais fraca cansa de apanhar e acaba descobrindo que, na verdade, é a parte mais forte, porque é a maioria. Acaba descobrindo que passou uma vida inteira de privações e sofrimento, enquanto @s responsáveis pela sua pobreza gozavam uma vida regada a bebidas caras e toda sorte de esbanjamentos. Chega uma hora em que a gente entende que a obediência nem sempre é a melhor opção. Entende que a lei não existe para defender, mas sempre para punir os oprimidos.

Naquela assembleia do dia 14 de julho, apenas repetimos o que Rosalba se recusava a ouvir: nós estamos dispost@s a mudar o final dessa novela em que a vilã sempre leva a melhor. E se ela resolveu apelar para o supra-sumo dos três poderes, tivemos que dizer também para ele: não acreditamos mais que a justiça seja justa. Reveja suas posições.

O julgamento de ilegalidade da nossa greve foi dado com base em um argumento classificado como “social”. Segundo a justiça, @s alun@s que vão fazer vestibular não podem ficar prejudicad@s. Alegou, ainda, o risco “iminente e irreparável” de perda do ano letivo.

Em primeiro lugar, é necessário enfatizar a grande demagogia existente nessa alegação judicial. Convenhamos, em que momento o poder judiciário brasileiro esteve preocupado com problemas sociais? E se está tão preocupado assim por que não trata logo de obrigar os governos a cumprirem a LEI DO PISO NACIONAL, por exemplo, ou de expropriar os bens de Palocci, convertendo seus R$ 20 milhões em algo que gere trabalho e renda para os pobres do nosso país? E nem me venham com explicações sobre as instâncias e as varas, e dizer que uma coisa não tem a ver com a outra, que estamos falando da Federação e do Estado e blá blá blá. Eu não estou falando disso! Estou falando da essência desse poder que consegue incorporar, com “requintes de crueldade”, o caráter de classe da nossa sociedade.

Falar em prejuízo d@ vestibuland@ de baixa renda a essa altura do campeonato? Faça-me o favor! Quantas vezes 1% que seja d@s noss@s alun@s entraram em alguma universidade pública? Quantas vezes algum (a) juiz (a) ou algum (a) promotor (a) se ocupou em dizer a qualquer governador (a) que é ilegal se utilizar da necessidade material de profissionais e estudantes que se submetem a contratos e estágios firmados ao final do ano letivo, aprovando alun@s que passaram um ano inteiro sem aulas, garantindo as condições burocráticas para inscrição deles (as) no vestibular? A resposta é: NUNCA! E esse mesmo poder vem agora nos falar de prejuízo aos noss@s alun@s? Vem dizer que somos ilegais justamente por estarmos denunciando esses problemas e lutando pelo direito inalienável deles (as) a uma educação de base e uma universidade pública de qualidade? Essa é uma piada de muitíssimo mau gosto!

Não é possível que, sendo a maioria, aceitemos passivamente permanecer sob o jugo de três poderes que estão freqüente e articuladamente envolvidos em escandalosos casos de corrupção. Que conseguem através de sórdidas maracutaias, cuja engrenagem nós não somos capazes nem mesmo de imaginar, conferir prejuízos financeiros irreparáveis aos cofres públicos, sem nunca serem condenados, exatamente por serem eles (as) mesm@s @s responsáveis pelos próprios julgamentos.
A nossa decisão foi absolutamente acertada. E, por isso, estou – como nunca estive – muitíssimo orgulhosa da minha categoria. Não podemos esperar que alguém que nunca pisou no chão de uma escola possa compreender as nossas razões e o caráter urgente da necessidade de melhoria das nossas condições de vida e trabalho. Essa luta é nossa e de toda a população. Portanto, cabe somente a nós o poder de decidir quando ela começa e quando é suspensa.

Digo aos meus colegas que essa é a nossa hora e que não podemos perder o bonde da história, desperdiçando uma oportunidade ímpar de escrevermos um capítulo inédito dela! Força! Coragem! Não nos preocupemos com riscos “iminentes e irreparáveis” no campo da burocracia. Nos preocupemos sim, com o risco iminente e irreparável da perda do que sobrou da nossa dignidade, que foi sorrateiramente amputada governo após governo, e que hoje é definitivamente soterrada por Rosalba. Retomemos o diálogo com os pais, as mães e @s alun@s sobre a legitimidade da greve e desconstruamos o discurso do prejuízo nesse período opondo-o à realidade do prejuízo distribuído em 200 dias letivos de precariedade e exploração! Não vacilemos em dizer que a responsabilidade pelo caos na educação é tão somente de Rosalba, e não nossa, pois somos tão vítimas quanto @s alun@s.

Exigimos que a governadora faça como fez com todas as outras categorias que estavam em greve: atenda às nossas reivindicações para que possamos finalmente retornar ao trabalho. É somente em nome da educação pública que reafirmamos a nossa posição, pois não há motivo para desistência enquanto há disposição para uma luta justa!

11 comentários:

Luiz Rodrigues disse...

Não desistam vocês são os maiores herois de um estado que nunca valorizou a educação. Para as oligarquias o povo "ignorante" é mais fácil de enganar. vejo o tempo todo comprarem votos por dentadura. Absurdo! Até quando. abramos os olhos e retiremos do poder para sempre as oligarquias que sempre governaram o nosso estado ..

Pablo Teixeira disse...

Prezada Amanda,
concordo plenamente contigo.
Você mencionou em seu texto um aspecto muito importante. Devido a manipulações exercidas de todas as formas ao longo de anos, utilizando os mais absurdos instrumentos subliminares, nosso povo brasileiro possui a lamentável cultura do tal 'não podemos'. Com muito orgulho sou filho de uma professora, já aposentada. E não é de hoje que assisto inúmeras paralisações país afora terminarem sempre com o mesmo desfecho: o governo ameaça, joga a Polícia e a 'justiça' em cima, a maioria recua, o movimento perde sua unidade... e tudo acaba como a classe política gosta. No final das contas, os governantes usam a própria máquina administrativa e a mídia em seu costumeiro discurso demagógico e hipócrita e conseguem jogar muitos pais e alunos contra os professores. E, infelizmente, a classe sai como vilã da história. Realmente é preciso dar um basta nisso! Chega de tanto desrespeito e abuso! Se o povo colocou, o povo pode expulsar. Por que com outras classes - metalúrgicos, policiais, juízes por exemplo - isso não acontece? Porque eles são UNIDOS e não se curvam diante do autoritarismo mercantil e farisaico. Sabem o poder, a força que têm. E a classe do magistério, UNIDA, tem muito mais força e poder que qualquer Justiça comprada, que qualquer governante corrupto e hipócrita. Vejamos o exemplo do que aconteceu no Egito e está acontecendo em outros países onde o regime ditatorial e absoluto dominava. O povo deu um 'basta', se uniu e exigiu seus mais nobres e dignos direitos.
EDUCAÇÃO É TUDO, MAS SÓ A UNIÃO GERA A FORÇA.

Organizador de Idéias! disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Organizador de Idéias! disse...

Parabéns, professora Amanda,
Pela admirável posição que tem tomado frente a luta de nossa categoria.
Também sou professora (grevista) e estou estarrecida com as atitudes autoritária e extremista adotadas pelo governo do estado do RN.Lamentável!

Alda

Nina disse...

Lamentável é meu salário.

Ajuda escolar disse...

Tudo o que relata , nós aqui do estado de Santa Catarina, municipio de Joinville, também passamos , como é de seu conhecimento a greve durou 40 dias, fomos quase que obrigados a retornar sem nem a inflação imediata.e olha que o governo é do PT , . Parabéns por ter sido ouvida pelo Brasil e dizer tudo em que acreditamos e sempre lutamos.

coquetelmolotov disse...

Amanda será que estes asseclas (juízes, desembargadores,promotores,etc) das classes dominantes falam realmente em nome dos estudantes das periferias das grandes cidades e do nosso interior? Será que eles ao menos já entraram numa escola de Regumuleiro, ou do golandim aí em Natal, ou do povoado do Totoró em CN? Será que eles teriam coragem de fazer uma visita a estas escolas no turno noturno? A primeira coisa que me vem a cabeça é a senhora promotora da educação ao lado de manos e manas da periferia falando com naturalidade. Seria uma cena no mínimo exótica. Será que saberia falar na linguagem deles, como a maioria dos educadores se esforçam para fazê-lo? Será que os senhores procuradores do Estado defenderiam a Escola Pública para os meus alunos, pelo menos aquela que eles têm acesso, sem privada, sem quadra coberta, sem professores na maioria do ano letivo?
É lamentável ver estes senhores e senhoras, parcelas privilegiadas, acostumados ao refinamento das anti salas suntuosas das classes dominantes, ao refinamento de pratos e bebidas que por si só demonstra o grau de separação de nossa classe, falarem de educação dos filhos da classe trabalhadora com tanto desconhecimento e com tanta petulância.
Somente um grande sentimento de justiça e indignação nos move neste momento. E, ele vem acompanhado de uma certeza: todos os impérios caírão.

um abaço apertado!

Graça Graúna disse...

Estimada conterrânea e colega educadora Amanda: você é um exemplo de luta. Que Ñanderu/Deus/Tupã te conserve sempre assim. Saudações indígenas, Graça Grauna

Cristina Sutil disse...

Oi Amanda, o magistério catarinense está em Luto, na mesma data de 13 de julho, 28 deputados aprovaram o projeto de lei complementar 026, que acabou com o nosso plano de carreira. Fizemos uma greve de 60 dias, não recebemos o piso na carreira, estamos feridos, mas não estamos mortos... Nossa luta agora é contra os INIMIGOS da EDUCAÇÃO.
Sou professora, sou gente.
Cristina Sutil

Allan disse...

È inadmissível,revoltante,indignante ,para mim “ALUNO “ da rede pública de ensino, ter que presenciar tudo isso que está acontecendo,vendo meus professores sendo obrigados a voltarem para sala de aula,após terem seus direitos mais do que merecidos negados,enquanto existem verdadeiras sanguessugas ,ai que engordam os próprios bolsos,com” DINHEIRO PÚBLICO”,com o dinheiro que deveria está sendo investido em estrutura e modernização do padrão escolar,nos dando assim mais possibilidades de aprendizagem .Falam em EDUCAÇÃO de qualidade,mas não falam em SALÁRIOS de qualidade,para os professores.Esse é o governo que temos Governo que só diz não

Ramos disse...

Amanda tenho 49 anos de idade e a pouca formação que tenho devo a ilustre professores que com seus escassos salários e com muita dificuldade me ensinaram com amor e carinho o valor do estudo, a categoria esta de parabéns,a luta deve continuar a Governadora e a Justiça não vivem e não querem ver a realidade que os professores enfrentam para sobreviver e ensinar nas salas de aulas,Deus possa dar sabedoria para aqueles que estão no poder para eles abrirem os olhos e ver a realidade da vida como ela é,saudações,João Ramos.

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